Com
certeza estamos aqui neste mundo por causa do
toque. Tudo começou com toques íntimos
dos nossos pais. É claro que daqui para
frente com o avanço da ciência,
talvez, esta afirmação seja falsa.
Pode-se fecundar um óvulo em laboratório,
introduzi-lo, mas mesmo assim haverá
toques. Até hoje a vida existe com toque.
Depois da fecundação, nas trompas
fomos conduzidos ao útero. Lá
fomos recebidos como reis e rainhas. Uma coisa
foi marcante: fomos recebidos com um forte abraço.
Sim, foi um abraço tão forte e
gostoso que devido a ele estamos aqui!
Ao falar de abraço no útero estou
dizendo que fomos envolvidos pela parede do
útero. Este envolver é como um
abraço.
Penso que aqueles toques foram os mais intensos
em nossas vidas. Imagine-se recebendo um abraço
tão envolvedor que afague e acalme até
a alma. Se não bastasse acrescente a
este abraço um líquido que nutre
e, é quente; uma placenta macia e sedosa
nos massageando todos os segundos da nossa vida.
O tempo passava e o toque aumentava. Mais líquido,
mais calor humano e materno, protegidos e massageados
constantemente.
Com certeza, o tempo que passamos no útero
foi marcante. Foi a base e o início das
nossas vidas. Estamos aqui vivos por causa destes
momentos. Por causa destes toques. Sem toque
não há vida.
Nascemos num belo dia. Fomos tão bem
recebidos que resolvemos ficar. Fomos percebendo
que o toque era uma preciosidade. Não
gostávamos de berço. Aquela coisa
fria, não combinava muito com a nossa
pele. Aprendemos rapidamente que o colo reconfortava
e aliviava as nossas dores, os cansaços
desapareciam e os medos não estavam mais
lá. Como era bom. Como é bom ser
tocado e tocar. Toque é reprocidade.

Sinto você me tocando em cada olhar,
Em cada gesto, em cada expressão,
Em cada sorriso...
E quando falo em toque
Quero dizer ir até o íntimo
E mexer com o que esta lá,
Com a energia e a fazer vibrar.
Assim surgem respostas que
Convencionamos chamar de
Sentimentos. Ai procuro
Exterioriza-los, é uma resposta
De algo que encontrou ressonância
Em meu corpo.
Foi um toque.
Só resta saber
Qual qualidade deste toque.
Ao ser tocado se esta vivo, presente.
O ausente não pode ser tocado.
QUALIDADE
DO TOQUE
É de essencial importância discorrer
sobre a qualidade do toque. Quando recebe-se
um toque nem sempre diz-se que foi bom ou ótimo.
Ao tocar é importante perceber ou ter
consciência da forma que toca-se a pele
do outro.
Cada ação do terapeuta ou de quem
toca provoca uma reação. A reação
são sentimentos que precisam ser sentidos
ou percebidos pelo tocado. Quem toca precisa
desenvolver cada vez mais a sensibilidade.
Certos sentimentos necessitam ser trabalhados
posteriormente, no corpo e pelo corpo do tocado.
São sentimentos que quando afloram trazem
consigo um conteúdo vivenciado no passado.
Contudo, estes sentimentos não foram
vivenciados de forma saudável.
Quanto ás reações são
respostas que o corpo emite frente a uma ação
que neste caso é o toque.
Quando alguém toca com qualidade entra
em sintonia com o corpo do tocado. O corpo do
tocado é o centro das atenções.
O bem-estar esta no corpo de quem recebe.
Aquele que toca esta relaxado, observando, tocando,
sentindo o corpo do tocado.
Qual a diferença entre um toque de qualidade
e uma agressão? Há diferença?
Frédérick Leboyer em sua obra
Shantala, expressa-se literalmente entre esta
diferença. Inicia discorrendo sobre o
amor e ódio. Há uma diferença
tenue. Veja:
“Do amor ao ódio não há
senão um passo.”
Do aspecto sutil, Leboyer, passa para o toque:
“Do mesmo modo que só há
um passo desta massagem para... a velha surra!”
Há uma pergunta em seguida interessante:
“é a mesma coisa?” e há
uma resposta enfática: “claro que
não!”
Pense num torturador: este sente muito prazer
ao ver o outro sofrendo.
“A surra proporciona grande bem-estar...
em quem a dá.” Conclui Leboyer.
Por outro lado, sobre o toque que se diferencia
da surra, Leboyer, afirma:
“Enquanto que aqui... aqui o que há
é uma luta, uma batalha. Mas trata-se
de uma batalha de amor. Onde a fúria
e a ternura são uma única coisa.
Onde se ganha certa plenitude à medida
que se dá.”
Aqui quem toca não descarrega sua violência
em quem está tocando. Ao contrário,
seu corpo esta livre da vontade de agredir para
cuidar. Esta completamente relaxado. Seus músculos
estão soltos e livres.
“A doçura, a calma não significam
descuido ou apatia. E a energia fica mais livre
de aspereza, de violência, de agressividade.
Mais uma vez não se trata nem de carícia,
nem de surra.
A energia passa por você. E ela não
é sua. É ela que a guia. Com a
condição de você estar aberta
a ser atenciasa. De algum modo, você é
um instrumento. E essa força se comunicará
melhor quanto mais distensa você estiver.”
No início da vida humana geralmente têm-se
este tipo de toque. Somos tocados qualitativamente.
Há casos e toques que não são
em essência de qualidade. A vida vai passando
e vamos perdendo este toque e nos afastando
cada vez mais da pele do outro.
UM
BELO DIA, SEM TOQUE
Aos poucos, fomos perdendo o colo. Fomos ensinados
que colo era para criança. Como se colo
para adulto fosse dispensável. Sim, a
nossa cultura não dá importância
ao toque. Tentaram a alguns tempos atrás
criar as crianças com quase nada de toque.
Tocar a criança era mimá-la. Seria
uma criança fraca.
A pior e triste constatação é
que isso era uma descoberta “científica”.
Veja o relato feito pelo autor, Ashley Montagu:
“A América estava sob a maciça
influência dos dogmáticos ensinamentos
de Luther Emmett Helt, pai, professor de pediatria
da Policlínica de Nova York e da Universidade
de Columbia.” Bom, o tal pai da pediatria
esta apresentado. Vamos aos seus ensinamentos
desastrosos que parecem que influenciam o pensamento
e a cultura até hoje. O que é
de lamentar. O tal pai da pediatria, “era
o autor de um panfleto intitulado Cuidados e
Alimentação de Crianças,
publicado pela primeira vez em 1894 e que, em
1935, estava em sua décima quinta edição.
Durante seu longo reinado tornou-se a autoridade
doméstica suprema sobre a questão,
o ‘Dr. Spock’ de seu tempo. Era
nesse trabalho que ele recomendava a abolição
do berço-embaladeira, que insistia em
não se pegar o bebê no colo quando
estivesse chorando, que ele fosse alimentado
segundo o relógio, e que ele não
deveria ser mimado com abundância de carícias,
e, no caso de a amamentação natural
ser a dieta escolhida, as mamadeiras não
deveriam ser abandonadas.”
Montagu, comenta o panfleto e dos ensinamentos
nefastos: “dentro deste contexto, a idéia
de um cuidado terno e amoroso teria sido considerada
muito ‘anti-científica’,
e por isso não foi sequer mencionada”
.
Parece-me, que estas idéias estão
muito vivas entre nós. Veja, quantas
mães não amamentam. A mamadeira
substitui o indispensável leite materno.
Perde-se os poderes fortalecedores da imunidade
do leite materno, para dar-lhe a mamadeira que
prejudica até a formação
dos dentes devida a não sucção.
A sucção fortalece a musculatura
que influência na formação
de uma boa arcada dentária.
Como se isto não bastasse, olhe para
muitas mães que rejeitam pegar seus filhos
no colo e ainda exclama: é um manhoso!
A criança é sinsera, pede o colo
da mãe, esta nega-o. colo é toque,
é afeto. O toque é uma necessidade.
Veja o que afirma Montagu: “Na realidade,
quanto mais sabemos a respeito dos efeitos da
estimulação cutânea, mais
descobrimos o quanto é profundamente
significativa para um desenvolvimento saudável.”
Isso quer dizer, que falta de toque compromete
o desenvolvimento de um ser humano. O foco da
obra de Montagu, é o desenvolvimento
da criança. A importância do toque
neste desenvolvimento.
E nos, adultos, quais são as consequências
da falta do toque? Na obra citada, acima, estão
relatadas as consequências da falta de
toque na criança. Vamos ao dramático
texto:
“No século XIX, mais da metade
dos bebês morriam durante o primeiro ano
de vida, geralmente de uma doença chamada
marasmus, palavra grega que significa ‘definhar’.
A doença era conhecida também
como atrofia ou debilidade infantil. Inclusive
na década de 20, a taxa de mortalidade
para bebês com menos de um ano, em diversas
instituições e orfanatos espalhados
pelos Estados Unidos, rondava perto dos 100%.”
Estes números assustam, pois parece que
poucas crianças sairiam vivas dessas
instituições americanas. Contudo,
o que comove é saber que as crianças
não morriam de doenças como uma
infecção, devido a uma epidemia
e sim, por falta de toque. Como Montagu afirma:
“bebês privados de seu contato corporal
costumeiro com a mãe podem acabar desenvolvendo
uma profunda depressão com falta de apetite,
definhamento e até marasmo, levando-os
à morte.”
Portanto, uma criança necessita de toque
para viver e se desenvolver saudavelmente. Há
um relato impressionante de Montagu, onde um
médico norte americano chamado Dr. Fritz
Talbot, de Boston, em visita à Alemanha
antes da Segunda Guerra Mundial, para conhecer
as instituições daquele país
deparou-se com uma “cena de uma mulher
gorda e idosa que carregava no quadril um bebê
bastante atacado pelo sarampo. ‘quem é?’
‘oh, ela. É a Velha Anna. Quando
já foi tentado tudo que há para
ser feito a nível médico e o bebê
mesmo assim não evolui satisfatoriamente,
entregamo-lo para a Velha Anna, e ela sempre
tem êxito. (Fala o diretor da instituição
alemã)”
Entenda a palavra êxito como salvar a
vida daquelas crianças. Havia um poderoso
remédio “para quando foi tentado
de tudo”, que resolvia isto: o toque.
Tocar a pele de uma criança é
um poderoso remédio capaz de salvar vidas.
Disto, não nos damos conta. Preferimos
pagar caro remédios de farmácia
para tentar compensar a falta de colo, de afeto,
de pele com pele, de toque.
Toque...
sai, não gosto, odeio quem me toca...
Oh... carência táctil!
Nanição, fome, sede por toque.
Ávidos por pele.
É morte, dor, cansaços sem toque.
Contudo, é fácil negar, reagir,
gritar
Espernear, só para não ter a coragem
De dizer: me abrace,
Eu quero colo;
Eu quero afeto;
Eu quero toque.
UMA
CONSTATAÇÃO...
Ao voltar o olhar para nossa realidade, perceberemos
que somos muito frios nos contatos. Pouco somos
tocados e pouco tocamos. A ausência de
contatos de pele com pele é uma realidade.
Para a nossa cultura, quanto menos toques, melhor.
Só não nos diz, melhor para que.
Corpo
frio, gélido,
Expressão de um corpo sem vida e sem
toque.
Pele sem viço.
Uma linguagem foi esquecida e repudiada.
Maldição imposta
Separação da pele do outro
Sem dó e piedade!
Deserto recescado e frio
Quando permitirá a flor brotar?
O toque voltar?
A vida ressurgir?
DA
FANTASIA AO TOQUE
Ao olhar para a sociedade, observa-se indivíduos
tão inibidos ao toque que não
se sentem nada a vontade em tocar e ser tocado.
O toque é a expressão do amor
mais encarnada. Contudo, imagina-se, fantasia-se
muito e toca-se pouco ou nada. Num único
toque comunica-se muita ao corpo tocado. Se
comparássemos um simples toque, com um
discurso sofisticado, mesmo assim o toque é
mais expressivo ao corpo, à pele.
Num simples toque, atinge-se profundamente a
pessoa tocada. Há muitos significados
num único toque. Para explicá-lo
muitas palavras. Porém, explicação
que dificilmente convence. A palavra esvai-se
e o que fica é o toque.
Oh
doce e terno toque
Tão pisado, recusado e evitado...
Manifesta-se tão inibido!
Quase expressão do nada!
Toque é comunicação.
Abandona-se uma linguagem
Expressiva, significativa.
Num simples toque transmite-se
Informações com significados profundos.
Certamente um discurso
Sofisticado não daria conta de
Transmitir o mesmo contêudo, ao corpo.
Toque é comunicação!
Toque impele e relaciona o ser com o
Mundo e com a vida.
Um corpo saudável físico e emocionalmente
Com um ato elementar: tocar-se, tocar e ser
tocado.
Lembre-se: toque, toque-se e permita ser tocado.
Isto equivale a vida num simples tatear.
UMA
DESCOBERTA
Ao olhar para minha vida percebo algo de vital
importância: o toque. Tive a oportunidade
de ter contatos com pessoas extraordinárias
que me ensinaram a tocar o outro e me tocar.
O toque de que estou falando é o terapêutico.
Não é qualquer tipo de toque,
ou tocar de qualquer forma. Posso afirmar sem
medo que aprendi o toque terapêutico e
ressussitei.
Quando, falo ressucitar foi ter redescoberto
o valor e a importância do toque na minha
vida. Em seguida, esta explicado o que é
toque terapêutico. Este toque foi revolucionário
em minha vida. Estou vivendo cada dia de forma
mais plena e realizado, tocado e tocando.
Depois vem outra experiência importante:
relatar as experiências tácteis.
Adoro escrever. Parece que estou conversando,
olhando para os teus olhos e sentindo as palavras
tocando o teu corpo. Ao escrever um bom texto
sobre o toque também se toca.
Uma noite comecei a escrever. Me empolguei.
As idéias, as lembranças dos cursos
sobre toque, Massagem e Sensibilidade , as experiências
de toque nas salas de aula tanto como aluno
ou professor, vinham e eu as digitava. Sentia
na pele cada toque, cada técnica aplicada,
cada colega que me tocou. Fui aprendendo tocando
e sendo tocado. Parece-me que não há
didática ou pedagogia melhor. Me desculpem
educadores se exagerei.
Engraçado, não lembro de todos
os meus professores das matérias de colégio,
mas posso sentir a energia de cada professor
que me tocou nos cursos de massagem terapêutica.
Como é bom ser tocado. Aprendi como é
realizador tocar e ser tocado. Além de
ser realizador, o toque é profundo e
marcante. Não esquecemos experiências
tácteis, ficam marcadas no nosso corpo
para o resto da vida. Talvez, aqui esteja a
grande diferença na arte de educar: tocar
é profundo e encoraja as pessoas a manifestarem
sua essência. Tornarem manifesto aquilo
que esta nelas.
Depois que aprendi fazer massoterapia, a minha
vida mudou. Faço algo extremamente prazeroso:
tocar e ser tocado. O toque tem uma importância
vital em minha vida. Posso dizer que consigui
algo quase impossível em nossos tempos:
trabalhar com algo prazeroso e ainda conseguir
ganhar por isso. Quando falo ganhar, não
se trata somente do financeiro. Estou falando,
de trabalhar com motivação por
aquilo que faço. Observar as pessoas
crescerem e eu cresço junto. Além
disso, não gasto minha energia para convencer
alguém que estou fazendo algo prazeroso
e me motiva a continuar. É uma energia
que me alimenta diariamente. E que alimento!
Vivo e invisto na minha vida tocando nos outros.
Como dizia Bob Dilam: “o sucesso é
acordar e dormir fazendo o que você gosta”.
Como é bom tocar durante o dia e dormir
abraçado, isso é mais do que sucesso!
É vida! É pura energia! É
Motivação, alimento dos mais saudáveis.
Amor
pois que é palavra essencial
comece esta canção e toda a envolva.
Amor
guie o meu verso, e enquanto o guaia,
Reúna alma e desejo, membro e vulva.
Quem
ousará dizer que ele é só
alma?
Quem
não sente no corpo a alma expandir-se
Até desabrochar em pleno grito
De orgasmo, num instante de infinito?
O
toque é profundo e mágico! É
algo que marca as nossas vidas.
TOQUE
QUE NUTRE E ACALMA
Ao tocar uma pele percebe-se como pode ser benéfico
o toque. Geralmente, observa-se o tocado ficando
cada vez mais quieto tanto quanto fisica e mentalmente.
As reações e os movimentos vão
ficando cada vez mais lentos e tranquilos. Surge
um estado de relaxamento. O que impressiona
é que geralmente o tocado não
percebe o tempo passar. Surpreende-se quando
constata que o tempo passou. Parece-me que o
tocado alcançou um estado atemporal.
As percepções vão ficando
cada vez mais lentas. Percebe-se com muita intensidade
o toque que remete ao interior, à energia
vital.
A consciência corporal vai ficando aguçada.
Sim o corpo esta ali, presente, tocado. E, sente
intensamente o toque penetrando pele a dentro.
O mundo ou a realidade do dia-a-dia vai ficando
pequeno e aumenta o foco no toque, no presente,
no estar ali sem preocupações
e tensões.
O bem estar, a tranquilidade vai tomando conta
do corpo. A energia vital flui livremente pelo
corpo que às vezes chega a pulsar.
Este pulsar energético ativa o corpo
e permite que o interior reaja e seja revigorado
e alcance o equilíbrio.
Acrescente a este estado de fluidez energética,
a consciência corporal do corpo do tocado.
Pode-se observar um aumento na percepção
do corpo e das estruturas internas. Sente-se
mais e com qualidade. Os sentimentos ficam mais
tranquilos e mais fáceis de serem percebidos.
DA
TEORIA À PRÁTICA
Uma grande dificuldade que temos é teoriazar
menos e tocar mais. Menos masturbação
mental e mais pele com pele. Fantasiamos muito
e tocamos pouco esta é a realidade.
Contudo, depois que aprende-se a tocar, vão
surgindo algumas práticas cotidianas
que chamo de manias tácteis.
Estou tão habituado ao toque que algumas
manias tácteis vão surgindo. Como
gostar de tocar os ombros das pessoas que conversam
comigo. Percebo que consigo entende-las melhor.
Muitos olhos brilham. Seus sofrimentos vão
sendo aliviados.
Como é bom quando estamos com algum problema
e alguém nos toca, parace o melhor conforto
do mundo. O toque é um “remédio”
da alma. Toca a alma e mobiliza nossas energias
internas para o crescimento do ser que esta
ali, tão pequeno e cheio de medo, dúvidas...
Quando falo em crescer quero dizer que o ser
que está em nós e toda a energia
vital vão se manifestando na pele, se
expressando.
À medida que manifestamos o ser e a energia
vital que esta em nós, vamos ativando
um poder de expulsar aquilo que não é
saudável para o ser. Conseguimos perceber
o que é bom ou não é saudável.
São poucas as pessoas que conseguem se
expressar livremente, dizer aquilo que querem
realmente, pedir um colo, um abraço,
uma massagem. Como é difícil para
muitos admitir que o toque é uma necessidade
em nossas vidas.
Algo que é belo quando trabalha-se com
o toque, é tocar a pele. A pele conta
a vida das pessoas. Tudo fica gravado na pele.
É um “cérebro” externo,
com memória e com capacidade de provocar
mudanças internas.
As mudanças são em relação
a valores, conceitos, noções do
mundo que vão sendo incutidos dentro
de nós. É só entender e
compreender o ombro tocado, a pele tocada, tudo
está ali.
Quando acima falava de vícios tácteis
esqueci de dizer que tenho por hábito
beijar no rosto como forma de cumprimento. É
revelador como as pessoas vêem isto. Algumas
pessoas acham um encanto. Ficam fascinadas e
comentam a forma que eu cumprimento. Outras
reagem com indiferença. Outras com repulsa.
Outras preferem passar longe, não verbalizam
nada mas, percebo que dizem: vá que este
cara me agarre.
Muitas pessoas senten-se invadidas, incomodadas
com o toque. As experiências em relação
ao toque não são iguais para todos.
“O toque é mágico. É
misterioso porque é muito poderoso e
importante, ainda que tão insignificante.
É simbólico, e poderá ser
o sinal de coisa nenhuma. O toque é extaticamente
agradável, e também poderá
causar dor torturante... causar o ‘beijo
da morte’.”
• A grande maioria das pessoas possuem
experiências desagradáveis e o
toque é desconfortável. Há
razões mais profundas. Não é
aquele toque em si que não foi bom, mas
as lembranças e as experiências
tácteis passadas que não foram
trabalhadas e resolvidas que se manifestam ao
ser tocado.
VOU APROFUNDAR MAIS.....
PARA O ARMANDO.... OU PARA O LEITOR DOS MEUS
RASCUNHOS... SINTA-SE TOCADO, O QUE FOI BOM,
O QUE FALTOU INCLUIR, QUER CONTAR ALGUMA EXPERIÊNCIA
INTERESSANTE.
ALIÁS, TEREI UM CAPÍTULO SOBRE
EXPERIÊNCIAS COM TOQUE. SERAM DISTRIBUIDAS
DA SEGUINTE FORMA: AQUELAS QUE DESAFIARAM E
FORAM BOAS PARA A SUA VIDA. E OUTRAS QUE NÃO
FORAM DE QUALIDADE. VOCÊ PODE ME AJUDAR
CONTE AS SUAS.... ME TOQUE.
Vou continuar aprofundando.... pode sugerir
alguns pontos para que eu desenvolva. Suas sugestões
foram provocativas e muito boas. Percebi as
limitações e a pouca fundamentação
do texto. Não sei se agora esta mais
fundamentado e mais coerente. Espero não
ter perdido a leveza que o texto possuia. Se
quiser escrever algo ou desenvolver seria bom.
Assim vamos lapidando um texto táctil
partilhado. É bom ter visões e
pontos de vista diferentes. O texto vai ficando
mais completo. Se quiser usar o texto sinta
a vontade. Foi muito bom tê-lo conhecido.
Foi uma experiência táctil impar.
UMA
EXPERIÊNCIA CATIVANTE...
As grandes diferenças são definidas
nos mínimos detalhes. Esta foi uma frase
que eu proferi depois de uma aula de filosofia
que eu assistia. Partilhei esta frase com um
grande educador da faculdade. Este educador
concordou com a minha frase. Não sei
por que mas esta frase me tocou. Geralmente,
são coisas “bobas” e simples
que nos tocam. É igual ao toque é
tão fácil e barato que muitos
não dão o valor adquado.
Em minha vida, o que fez uma grande diferença
foi ser tocado e tocar.
Contudo, estou escrevendo sobre o toque, mas,
me lembrei que foi exatamente um pequeno detalhe
que mudou a minha vida.
Num belo dia, aliás era de noite que
eu ia a aula de um curso intrigante: Massagem
e Sensibilidade. Porém, naquele dia a
professora era a mesma de sempre mas, propos
uma experiência táctil que nunca
mais eu esqueceria: o neuro-táctil.
O
QUE É ISSO?
Talves, tenha que experienciá-lo, pois
eu acho que as palavras serão insuficientes
para defini-lo.
Descrevo como é recebe-lo e assim terá
uma idéia do que é. Um grupo de
pessoas com alguma experiência em toque
terapêutico esta reunido em circulo numa
sala, com uma música calma e tranquila.
Após, ter feito um exercício de
relaxamento para harmonizar emoções
e sentimentos e acalmar a mente, uma pessoa,
deita-se no centro, em decúbito frontal.
Os outros atritam suas mãos para relaxar
este instrumento táctil. Além
disso, explica a professora, “é
para trazer a consciência às mãos
e concentrar a energia que será usada
no tocar o corpo da pessoa ao centro”.
Lembro-me que fui o primeiro a deitar. Ao receber
o primeiro toque das mãos cheias de energia
foi algo marcante. Cada toque era único,
não por estar num local do meu corpo
diferente. Mas, por que cada toque era completamente
diferente.
Agora os toques tornam-se uma massagem. “Dêem
o melhor de vocês neste toque”,
diz a professora. E, continua ela: “receba
e perceba como este toque é profundo
e toca a tua alma”.
Realmente, não tocou só a alma,
mas transformou a minha vida! Nutriu o meu corpo
e cativou-me a estudar e trabalhar com o toque
terapêutico! Estes toques foram muito
cativantes.
Depois de bem massageado no meu dorso, a turma
virou meu corpo sem o menor sacrifício
e sem minha ajuda. “Gilson, somente sinta
seu corpo ser virado”, diz a professora.
Em decúbito dorsal, os colegas de toque
atritam as mãos e novo toque e a experiência
táctil continua. Ao terminar, mais uma
sensação e experiência difícil
de descrever e marcante ao receber. “Agora
todas as mãos envolvem o corpo e dão
apoio no dorso e o tiramos do chão. Vamos
ergue-lo lá bem no alto. Com um balanço
como se este corpo fosse de um bebê, vamos
acarinhá-lo e balançá-lo”,
diz a professora. Foram alguns minutos da minha
vida onde pude sentir todo meu corpo, cada osso,
todos os músculos, de modo que esta experiência
me conduzio e me fez perceber o corpo. Sentia
a energia fluir livremente sem estagnações.
Meu corpo pulsava. Estava bem vivo. Com certeza,
foi uma experiência táctil impar.
O
CORPO E A MASSAGEM
No corpo registra-se tudo que se experiencia ao
longo da vida. Tudo que se experiencia de alguma
forma passa pelo revestimento externo que chamamos
de pele, onde tudo é registrado.
As experiências registradas, criam uma memória
corporal que pauta, molda a postura corporal,
reflete-se na postura emocional e tem reflexos
até na energia vital que flui e reflui
pelo corpo.
As experiências corporais podem ser divididas
em duas modalidades: aquelas que impulsionam a
vida; e, as que bloqueiam e promovem estagnações
limitando a vida.
Uma observação importante: as experiências
vividas não são nem boas e nem ruins.
O importante é como são absorvidas
e vistas pelo indivíduo.
Há uma tendência: tudo que não
é bom procura-se esquecer, guardar, não
falar. Passa a ser um contêudo “morto”,
ou melhor, um “arquivo morto”. Aquilo,
que não trabalha-se de forma natural, espontânea
é algo que esta presente em nossas vidas,
mesmo que não admitimos.
Contudo, constitui um peso de algo que esta sempre
presente influenciando as novas experiências
e comparando-as com as coisas que estão
registradas na pele. Isto, compromete a livre
fluência da energia corporal. Esta limitação
vem em virtude de gastar-se parte da energia corporal
para esconder o “lixo” ao invés
de limpá-lo.
Além de, consumir a energia corporal, o
ser não será integral, inteiro.
A consequência desta postura pode ser dores
corporais, desânimos, cansaços...
Algo inevitável é: todos temos experiências
na vida. Nem todas são agradáveis.
Contudo, trazem lições para exercitar
a sabedoria. Sábio é aquele que
experiência a vida e extrai lições
vitais, sem perder a vida. E não perder
a vida é estar sempre em contato com a
pele sua e do outro.
O toque proporciona vários benefícios.
Dentre estes benefícios pode-se enfatizar
a integração de todas as experiências
vividas e conseguir trabalha-las de forma consciente.
“Os benefícios da massagem (do toque)
são imensos. Ela relaxa o corpo, assim
reduzindo o estresse, não apenas na hora
em que acontece, mas por mostrar ao corpo o que
é o relaxamento. Com o método, recondiciona-se
o corpo a reagir não com tensão,
mas com relaxamento. A massagem também
ativa a circulação, dessa forma
liberando as toxinas do corpo, aumenta a sensação
de energia e promove um bem-estar geral, quando
realizada adequadamente. O mais importante é
que a massagem constitui uma experiência
de estimulação tátil maciça
e pode aliviar a ânsia por pele, bem como
remediar a carência de contato físico.”
Somente para ressaltar; a massagem, o toque “não
é somente na hora” que ele age. A
integração das experiências
e entende-las conscientemente no corpo é
algo que alcançamos quando somos terapeuticamente
tocados.
Algo a destacar, em relação a afirmação
da autora: o toque tem que ter qualidade. A massagem
tem que ser “realizada adequadamente para
produzir efeitos. Uma massagem pode reforçar
a tensão e levar o indivíduo ao
afastamento do toque.
ALGUNS
CONCEITOS
Para entender melhor o texto a seguir, vamos
a algumas definições: na visão
de Montagu, a pele tem a seguinte conotação:
“a pele é o espelho do funcionamento
do organismo: sua cor, textura, umidade, secura,
e cada um de seus demais aspectos refletem nosso
estado de ser psicológico e também
fisiológico.”
Aqui a pele é relacionada com a alma
do indivíduo e com o funcionamento das
estruturas e órgãos internos.
A pele é um reflexo do que há
dentro do seu corpo.
Mas, Montagu faz outras relações
com a pele: “empalidecemos de medo e enrubecemos
de vergonha. Nossa pele formiga de excitação
e adormece diante de um choque; é espelho
de nossas paixões e emoções.”
Podemos dizer que somos nossa pele. Tudo está
presente na nossa pele. É a pele que
nos “confere o sentido da realidade”,
sabemos o que esta fora de nós e, manifesta
sobre ela o que esta dentro de nós. Como
diz Montagu: “a pele é em si mesma
um órgão complexo e fascinante.”
Na visão oriental, a pele é um
reflexo das estruturas e órgãos
internos. Qualquer alteração interna
será refletida nela. Por outro lado,
as experiências de toque no corpo influenciam
as estruturas internas facilitando ou dificultando
seu funcionamento.
A dificuldade é entendida como um desequilibrio.
O desequilíbrio prejudica a fluência
da energia que, com o tempo atinge o físico
e o emocional do indivíduo.
A energia é o CHI ou KI corporal, ou
seja, a energia vital que formou e mantem o
corpo saudável.
A pele, na visão oriental, reflete o
estado energético da pessoa.
Ao massagear uma pele encontra-se “nós
energéticos” que é energia
estagnada. Fica ali parada sem vida e sem movimento.
A energia deve fluir constantemente. Se não
fluir surgem sinais físicos, emocionais
ou energéticos deste desequilíbrio.
A massoterapia é definida como um conjunto
de técnicas através do toque em
áreas precisas do corpo, na pele, para
promover o bem estar, integrar memórias
desagradáveis e limitantes presentes
na pele e no corpo do tocado.
São toques que constituem uma forma de
comunicação com o corpo do tocado.
Em outras palavras: o toque constitui-se numa
linguagem táctil, ou seja, num conjunto
de sinais que exprimem sentimentos e sensações
como se fosse uma conversa sem palavras com
a pele e o corpo do indivíduo, levando-o
a perceber e enteder que os desequilíbrios
são causados por fatos anteriores que
bloquearam e estagnaram a energia corporal.
Quando falo de fatos estou me referindo da relação
que o indivíduo possui com ele mesmo.
Esta relação constitui uma dinâmica
energética interna. Outra forma que influencia
na energia, é como lida-se com as emoções.
O ser está em relação com
o meio. Também, é um fato que
atinge sua energia. O ser humano é um
ser que se relaciona afetiva, social e profissionalmente.
Portanto, as relações que ele
possui, a qualidade delas são um fato
importante para entender como está sua
energia. Outro fato é: o meio que vivemos
possui sua energia e pode afetar a energia corporal.
Uma exemplificação: expor o corpo
ao sol pode fazer bem ou dar ensolação.
Há outros fatos, como por exemplo: com
o que trabalho, a dinâmica postural, o
tipo de alimento escolhido... são fatores
que influenciam a energia corporal.
A linguagem táctil é uma forma
de expressão do indivíduo através
da pele. Um conjunto de sinais que exprimem
suas emoções e sentimentos, sua
energia e sua condição e estado
físico, emocional e energético.
O papel da massoterapia, está em atuar
na pele do indivíduo para que as experiências
sejam trabalhadas. Reforça-se as experiências
agradáveis e atenuam-se as memórias
limitantes.
O toque promove a integração de
tudo o que foi vivenciado e experienciado e
auxilia no processo de conscientização
corporal, aumenta a auto estima do indivíduo.
Em se tratando da massoterapia oriental, o toque
em pontos e meridianos promove a harmonização
e o equilíbrio da energia corporal.
o que são pontos e meridianos?
E o que é ter consciência corporal?
Muitas pessoas não possuem a percepção
do corpo, das suas tensões e dos seus
cansaços. Não conseguem perceber
os sinais que o corpo emite para dizer se está
bem ou não. Os desequilíbrios
energéticos sempre apresentam sinais
na pele e no corpo. Estes sinais podem ser sentidos
e lidos pelo indivíduo e pelo terapeuta.
A partir desta leitura, pode-se equilibrar a
energia antes que surjam desequilíbrios
físicos. Este equilíbrio é
atingido ao trabalhar na pele. Ou seja, o toque
na pele é que promove uma harmonização
e equilíbrio interno ou, aumenta sua
vitalidade.
A massoterapia é um instrumento auxiliar
para este leigo que ainda não possui
a consciência corporal e para aquele que
a possui um instrumento de manuteção.
Massoterapia atua na pele. Pele a dentro pode-se
ser mais saudáveis.
A realidade vivida por muitas pessoas compromete
sua auto estima, comprometendo o equilíbrio
energético corporal. Vou um pouco além
disso, quem é bem tocado têm auto
estima.
O ser humano, é um ser em relação.
É um ser social. Isso chamamos de energia
interpessoal. Pode-se ter mais energia ou a
energia desgastada por uma relação.
Para relacionar-se de modo saudável é
importante ter auto estima, é importante
ser qualitativamente tocado.
O que é auto estima? A auto estima pode
ser definida como um conjunto de eventos que
juntos dão sentido à vida. Pode-se
criar uma imagem para exemplificar este conjuto
de eventos: se jogassemos as peças de
um navio ao mar, uma a uma, todas afundam. Ao
afundar ficam imóveis, paradas, estagnadas.
O mundo fica pequeno e limitado. Só temos
um evento: ter sido atirado ao fundo do mar.
Não há movimento. A vida fica
sem muito sentido. Só há um evento.
Não há toque e contato da peças
atriradas ao mar. É energia estagnada.
Contudo, se formamos um conjunto teremos o navio.
Juntou-se as peças e fazem o conjunto
flutuar. Agora as milhares de toneladas são
graciosamente levadas de um lado para o outro.
Pode-se dizer que isto é graça
ao toque. Sem toque de peça com peça,
não há navio.
Agora o navio move-se quando há necessidade.
Enfrenta tempestades, mas elas são vencidas.
Não é mais um fator limitante
do ser.
As dificuldades são enfrentadas e superadas.
Ao contrário, daquele ser sem auto estima,
sem toque que tudo é sacrifício,
nada pode ser feito em função
das experiências vividas no passado. Agora
são vários eventos que em relação
dão sentido e um toque especial a vida
do navio.
O fato de unir as peças, ou integrar
os eventos é desecadeado pelo toque.
É o contato que alguém teve com
as peças. E, as peças foram se
tocando uma a uma até formar o navio.
Toque é integrador.
Agora há contato, há pele com
pele. O toque é o responsável
direto pelo navio flutuar.
A massoterapia com sua linguagem táctil
promove a integração dos eventos
vivenciados pelo corpo. Atenua aqueles eventos
sobrevalorizados e apresenta outros para serem
experiênciados.
Podemos dizer que “não existe ninguém
comum”. Todos têm a possibilidade
de juntar os eventos da vida. Juntando os eventos
surge o sentido da vida. O toque promove esta
harmonização e integração
de eventos. Portanto, é importante ser
tocado para perceber o corpo, integrar todos
os eventos, aumentando a auto estima para que
a energia corporal flua livremente sem estagnações
ou desequilíbrios.
A massoterapia deve superar as técnicas
que parecem “tortura chinesa”. Deve-se
repudiar o toque agressivo, tanto quando se
está tocando ou sendo tocado. O toque
agressivo acaba reforçando as sensações
desagradáveis da vida e não ajuda
em nada para trabalhá-las ou integrá-las
aos eventos da vida.
José Ângelo Gaiarsa, ao fazer a
apresentação da edição
brasileira da obra: Tocar, de Montagu, faz uma
dura crítica aos terapeutas. Diante de
uma realidade de afastamento um do outro e sem
toque, quando tocamos ainda provocamos dor,
reforçando a solidão. Ele chama
isto de “estranha maldição”,
vamos ao texto, à critica: “estranha
maldição. Inclusive seus maiores
defensores – do contato e da carícia
– não fizeram nada do que pregam,
muito pelo contrário. Falo de Reich e
das muitas bioenergéticas que dele nasceram.
A maior parte delas parece cena de tortura,
não de prazer. De solidão e não
de contato.”
A massoterapia deve ser uma busca e um resgate
de um toque profundo, reparador e prazeroso.
A massoterapia é a vivência da
vida em contato, no tato e no toque. É
a superação das distâncias
e dos abismos físicos, emocionais e dos
desequilíbrios energéticos.
Ao tocar e ser tocado é sentir-se vivo,
com vida no toque. Ao massagear ou ser massageado
é experienciar o toque na sua plenitude,
pois é uma possibilidade de integração
das experiências, vivenciando a pele com
a pele sem esconder-se ou reduzir-se. É
um apoio táctil a nível emocional,
energético, permitido e, que possibilita
a vivência das emoções e
dos sentidos sem medos.
Toque o seu corpo e deixe-se tocar pelas outras
pessoas e, também toque! Desenvolva esta
linguagem esquecida: a linguagem táctil.
E va além: toque de forma terapêutica
para harmonizar a energia e o corpo.

O
TOQUE TERAPÊUTICO
No mundo das terapias há algo que vai
além da diversidade de métodos
e técnicas, capaz de deixar muitas pessoas
intrigadas: o toque.
Ele surgiu com a humanidade, desde da primeira
gestação, pois somos massageados
durante os nove meses naquele ambiente protetor.
Com esta massagem surgiu uma linguagem, a táctil.
No ambiente pós útero, pós
natal esta linguagem continua se desenvolvendo
até a morte.
Contudo, nos tempos atuais o toque tornou-se
algo abandonado e relegado a uma linguagem sem
muita expressão pessoal e social.
Ainda mais: o toque é algo perigoso e
pernicioso para a sociedade. Segundo, José
Ângelo Gaiarsa, o toque deve proporcionar
prazer e fazer as pessoas felizes. Contudo,
“fazer feliz é perigoso demais...
o contato é impossível em nosso
mundo.”
Pode-se afirmar que o toque é uma linguagem
necessária e primordial para mantermos
um corpo saudável e equilibrado. Segundo
Gaiarsa, “não pode haver saúde,
nem funcionamento pleno, se os sistemas vivos
não estiverem ou não mantiverem
contatos frequintes.”
E continua, mostrando as consequências
da falta de toque:
“Falta-nos proximidade, contato... por
isso estamos tão doentes. Não
trocamos carícias nem gostamos que toquem
em nós.
Quanto mais civilizados, mais asséptico,
mais distante e mais frio. Só palavras.
Pouca mímica. Nenhum contato. Por isso
foi tão fácil inventar robôs.”
Ao tocar e ser tocado surgem revoluções,
segundo Nikki Giovanni. Veja a afirmação
de Nikki: “eu sei que tocar foi, ainda
é e sempre será a verdadeira revolução.”
A revolução da linguagem táctil
esta em quebrar os valores impostos pela cultura
ocidental baseada na visão e na observação.
Assiste-se a vida passar. Por que não
sentimos a vida passar? Quando nos percebemos
sem toque, achamos ser tarde demais e desistimos
facilmente. Morremos com nanição
táctil. Quer dizer: morremos com uma
carência afetiva enorme. Talvez, de tão
carentes acabamos morrendo mais de pressa. Quando
a conversa é prazerosa ficamos mais tempo
conversando. Será que não morremos
muito novos sem o toque? Fica como reflexão
de cada um.
Reflita enquanto esta se tocando. Olhe menos
e toque mais. Aproxime-se do outro! Em contato
sente-se melhor, entende-se melhor. Abandone
o falatório e a verbalização
como a única forma de comunição.
É melhor sentir a vida passar do que
ver a vida passar. É melhor tocar e ser
tocado do que só observar, olhar, ouvir...
Outro aspecto importante em relação
ao toque é a sua atemporalidade, nunca
será algo ultrapassado, desnecessário
e sem valor. Ao contrário, o toque é
uma necessidade biológica, o ser humano
não viveria sem toque.
Se o toque é uma necessidade para o ser
humano sobreviver, usá-lo como instrumento
terapêutico, exige do massoterapeuta vivenciá-lo
sempre e exercitar-se constantemente para o
desenvolvimento da sensibilidade e da linguagem
táctil, abandonado e relegado aos planos
inferiores pela nossa cultura.
O toque possui muitos significados e ao mesmo
tempo há muitos tipos de toques. Aqui,
buscaremos o desenvolvimento do toque terapêutico
e suas habilidades, fundamentado e com técnicas
aplicadas a pele, ao corpo; com o objetivo de
proporcionar equilíbrio energético,
melhorar a qualidade de vida e proporcionar
uma manutenção da saúde.
E, nutrir a pele com toques beneficos e saudáveis.
O
TOQUE TERAPÊUTICO E SEUS DESAFIOS
O primeiro desafio é conseguir superar
as concepções culturais erotizadas
de que toque é estritamente sexual. O
toque terapêutico não tem nenhum
objetivo sexual. Toca-se para proporcionar alívio
da alma e equilíbrio energético,
emocional, sem a utilização do
sexo.
O outro desafio é superar as distâncias
que estabelecemos entre os seres humanos. Parace
que há um abismo entre as pessoas. Pouco
toca-se e pouco se é tocado. Vivemos
um tempo onde há uma carência afetiva
enorme. Veja a afirmação de Montagu
em sua obra, Tocar: “para se comunicar,
o mundo ocidental terminou por apoiar-se maciçamente
nos ‘sentidos de distância’,
visão e audição; quanto
aos ‘sentidos de proximidade’, paladar,
olfato e tato, em grande parte proscreveu o
último.”
Só para reforçar e entender bem
a afirmação acima: proscrever
quer dizer: proibir, abolir e condenar, literalmente.
Isso quer dizer que além de dar-lhe uma
conotação sexual, o toque está
relacionado com a violência, a força
e a dominação.
Quando superamos o toque violento e dominador
e tocamos carinhosa e amorosamente é
proibido e condenado.
Veja na reação das pessoas ao
verem alguém com toques públicos
que vão além de um mero cumprimento
social. Pensam em sexo e expressam sua ira e
fúria inquisidora verbal e até
físicamente com agressões contra
quem ousar em se tocar demoradamente em público.
A nossa comunicação é estabelecida
através dos órgãos dos
sentidos. Eles são os canais por onde
estabelecemos a comunicação. Com
certeza, melhoraria a nossa comunicação
e a vida, se nos tocássemos mais.
O resgate e o cultivo da linguagem táctil
é sem dúvida um desafio muito
grande. Precisamos começar, precisamos
ousar, precisamos nos tocar e aprender a arte
de bem tocar e ainda mais, tocar de forma segura
e precisa, a ponto de que este toque seja terapêutico.
Precisamos romper as prisões estabelicidas.
Sim, há um abismo imenso entre as pessoas.
Talvez, nem tenhamos a consciência desta
lacuna e de sua dimensão.
Tente imaginar, a perda por abandonar o toque
e, nos distanciarmos uns dos outros. Entre tantas
perdas, talvez, maior perda seja a afetiva.
Ficamos cada vez mais insensíveis e frios.
Será que um dia recupera-se estas perdas?
Será que conseguiremos superar esta distância?
Hoje, é triste constatar que se sofre
de um mal quase incurável: a carência
táctil.
Um belo dia estava lendo um livro de Gilberto
Freire, levei um susto muito grande. Ele falava
que o pior castigo imposto para a humanidade
foi surgir a aids. Mas, o susto não foi
esta afirmação. O susto foi outra
afirmação dele, lá vai:
“prefiro morrer de aids do que morrer
de solidão”.
Onde estamos indo? O que estamos fazendo? Estamos
presos aos preconceitos e a valores que nos
matam, um pouco, todos os dias.
Recuperar o toque e sua linguagem e desenvolve-la
é uma possibilidade de que a humanidade
resgate sua própria vida.
Ensinar o toque terapêutico é sem
dúvida um ato educacional. É um
ato de grande amor para com o indivíduo.
Quando falo em educar, quero dizer que significa
trazer à tona algo que está no
interior de uma pessoa, trazer seu centro para
a superfície, para as bordas, fazer com
que seu ser se torne manifesto, por que ainda
está latente, não manifesto, está
adormecido, tornando-o ativo e dinâmico.
Tenho uma grande esperança que estejamos
somente adormecidos em relação
ao toque. Espero que não estejamos secos
como uma árvore sem vida. A manifestação
que acontece todos os dias nas salas, onde ensino
o toque terapêutico, faz com que eu afirme:
ainda é tempo de se tocar, ainda é
tempo de se massagear e ser massageado, ainda
é tempo de aprender e se educar com o
toque.
Toque e deixe ser tocado, vale a pena! Descobre-se
que a vida não é só olhar,
ver. A vida é sentir a pele ser tocada
por outra pele de modo tranquilo e terapêutico.
O
TOQUE É MÁGICO
Há várias razões para dizer
que o toque é mágico. A magia
do contato é que só podemos estar
ali naquele momento. O contato, o toque não
têm passado ou futuro.
São momentos únicos: pele com
pele. Esses momentos podem ser lembrados, que
é passado. O toque pode deixar marcas
tão profundas das experiências
tácteis. Posso querer estar sempre em
contato que não deixa de ser futuro.
Contudo, ainda não é toque! Se
estou sendo tocado é no presente, é
um presente!
Um aspecto mágico do toque é este:
é melhor sentir a vida passar do que
ver a vida passsar. Quando escrevi esta frase
não tinha consciência da dimensão
desta frase.
Só para exemplificar: imagine e sinta,
a magia e a profundidade desta frase. Ao tocar
e ser tocado de forma terapêutica, saudável
e protetora não percebemos o tempo passar.
Estamos ali, sendo tocados no âmago, na
alma, na energia.
Talvez, o corpo esteja reelembrando todos os
toques recebidos. Será que o corpo lembra
dos toques intra-uterinos?
Ficamos lá por 9 meses, alguns ficam
um pouco menos. Lá tínhamos o
toque, contato em tempo integral. Não
havia pressa, ansiedade, tensão, violência...
Não havia contagem de tempo. Só
alternávamos a vida entre despertar e
dormir e crescemos.
No útero havia algo de mágico:
não há separação
entre toque acidental e essencial. Toque é
toque.
Depois que nascemos descobrimos que havia regras,
cultura, valores... ensinaram que não
podíamos tocar sempre, era perigoso.
Começamos separar os momentos, as pessoas
que podemos tocar e o momento certo.
Surgiu o toue acidental. O toque acidental é
aquele que não queríamos tocar.
Tocamos e pedimos desculpa. Aliás, sentimos
culpa. A forma de atenuar esta culpa, pedimos
clemência.
Mágico é perceber que não
há local e tempo para o toque. Que toque
é uma necessidade fisiológica.
O toque essencial é aquele afeto, pele
com pele, que necessitamos para viver. Sem toque
não há vida.
Logo, o toque pode ser de qualidade ou não.
Mas, dizer que o toque é acidental é
arbitrário e algo imposto e não
condiz com a necessidade humana. Necessitamos
de bons contatos para viver. Não há
vida sem toque.
A magia esta em exercitar o toque diariamente,
constantemente para desenvolver a sensibilidade
e torná-lo qualitativamente bom para
nutrir as necessidades vitais.
Só para exemplificar e você pensar:
proponho-te a construção de duas
cenas. Procure olhar para o teu corpo em dois
ambientes.
O primeiro ambiente é estar no colo da
pessoa que ama. Estar sendo massageado, acariciado,
tocado. Não estou falando somente daquele
toque com objetivos excitatórios. Mas,
estou falando daquele toque que temos vontade
só de ficar ali, sentir, viver. Parece
que o tempo não é contado. Quando
percebemos passaram-se horas, sem preocupações,
tensões, sem ansiedade.
Contudo, imagine agora uma segunda cena: você
esta naquela fila de banco que todos estão
ali. Têm pressa. Está atrasado
para outras atividades e não têm
como furar a fila ou resolver amanhã.
A espera pode ser torturante. Olha o relógio
de minuto em minuto. Não surgem outros
caixas e a fila para.
Compare tuas sensações, emoções.
como é mágico o momento que você
esta sendo tocado. É único.
Tocar
tua pele sedosa e morena do sol,
Uma brisa que refresca a alma,
Tranquiliza o espírito, traz a paz.
É amor e convite para expressar
Sentimentos de afeto e paixão.
Teus beijos suaves e sedosos,
Cheios de brilho e gosto
Alimentam desejos ternos e profundos.
É adoração.
Sentir seu toque no meu corpo
Motiva para reações instintivas
De te envolver com os braços,
Aquecer-te como uma manta
Sedosa e aconchegante.
O
PODER DO TOQUE TERAPÊUTICO
Este título é baseado na chamada
de uma revista . A chamada era “o poder
dos sentidos”. Folhei a revista rapidamente
para chegar na matéria. Gosto de ler
sobre assuntos relacionados ao corpo humano.
Tenho interesse especial sobre o toque. Já
de cara me deparei com o subitem da matéria
que intrigava: “o toque que salva”.
O toque como instrumento terapêutico vai
tendo sua eficácia comprovada na prática.
Na reportagem, relata os resultados da aplicação
do toque em recém nascidos. Além
de benéfico e salutar, o toque cura.
A ciência confirma este benefício
do toque. De um lado, é bom que os resultados
sejam bons e, divulgá-los. Contudo, é
de lamentar que as pesquisas e trabalhos científicos
tenham que dizer isso às pessoas. Algo
tão óbvio, mas que não
utilizamos e não faz parte da rotina
de nossas vidas.
Imagine que se o toque é usado em centros
médicos como um auxiliar aos tratamentos
convencionais e os resultados são animadores;
imagine se o toque fosse algo natural e constante
em nosso dia-a-dia. Será que estaríamos
menos doentes ou menos carentes?
De imediato temos algumas vantagens na utilização
do toque: tocar não custa muito. É
muito mais barato que uma aspirina e mais, não
possui contra-indicações. O importante
é que este toque seja sem violência,
agressões ou que não ameaçe
quem esteja sendo tocado.
E a reportagem continuava interessante: “um
dos sentidos menos valorizados, o tato virou
um poderoso instrumento na recuperação
de bebês prematuros em algumas UTIs de
hospitais brasileiros.”
O toque é do ponto de vista médico
um instrumento terapêutico. Isso deve
ser ressaltado, destacado. Contudo, pensa-se
que este toque tenha algo de muito especial
para recuperar crianças prematuras. Mas,
veja a continuação da reportagem:
“a técnica TAC-TIC (sigla em inglês
para ‘tocando e acariciando-cuidando com
carinho’) estimula o desenvolvimento do
sistema imunológico do prematuro...”
Este toque carícia fortalece o sistema
imunológico das crianças. Sem
dúvida isso é extensivo a todos
os seres humanos. Em todas as idades pode-se
usufruir do toque para cuidar da saúde.
A técnica mencionada utiliza 22 toques
no corpo da criança que agem “sobre
as terminações nervosas da pele,
aumentando a produção de betaendorfina,
um anestésico natural produzido pelo
organismo, e reduzindo as dores e o estresse
do nascimento prematuro. Outras consequências
são o aumento da taxa de imunoglobina
no sangue (substância responsável
pela defesa do organismo) e a estabilização
da pressão cardíaca.”
Os resultados vão desde menores gastos,
pois a criança fica 5 dias em média,
a menos, na unidade de tratamento intensivo;
e, se benificia com o toque que vai nutrindo
a sua pele com afeto. O bebê vai sendo
alimento táctilmente.
A PELE NA VIDA-SAÚDE PROPORCIONA
MAIS EQUILÍBRIO?
Tudo passa pela pele. É a pele um órgão
importante para coleta de informações
enviadas ao cérebro. Sem estas informações
com certeza não haveria vida, muito menos
saúde. A pele é indispensável
à nossa vida.
Na obra: Tocar, de Montagu, defende a seguinte
tese: “que influência têm
sobre o desenvolvimento do organismo os vários
tipos de experiências cutâneas que
o mesmo vive, principalmente no início
da vida? Que tipos de estimulação
da pele são necessários ao desenvolvimento
saudável, tanto físico quanto
comportamentalmente?”
Montagu, parte da experiência táctil.
Como que o toque influência o desenvolvimento.
Que tipos de toques são necessários
para desenvolver-se com saúde. Com certeza,
os toques são diferentes e há
uma variação de toques enorme.
Parece-me que não há a necessidade
discutir a ausência de toques em nossas
vidas, como algo insano de nossa parte. Isto,
já foi visto cientificamente. É
só conhecermos as consequências
nefastas se não somos tocados. Veja um
relato para conhecer as consequências,
quando um animal não é tocado:
“num artigo datado de 1921-1922,de Frederick
S. Hammett, anatomista do Instituto Wistar de
Anatomia, na Filadélfia. Hammett estava
interessado em descobrir quais seriam os efeitos
da remoção total das glândulas
tireóide e paratireóide de ratos...
Hammett observou que após a operação
animais não morreram, como era de se
esperar. Havia sido considerado até então
que uma tireoparatireodectomia mostrava-se invariavelmente
fatal... após investigar esse resultado,
Hammett descobriu que os ratos submetidos à
cirurgia total tinham sido recolhidos de duas
colônias separadas; o número maior
de sobreviventes proviera da colônia considerada
experimental. Nesta, os animais eram habitualmente
mimados e acariciados.
Por outro lado, os animais que apresentavam
taxa de mortalidade mais elevada haviam sido
escolhidos do plantel considerado padrão;
para esse grupo, o único contato humano
era o que acontecia incidentalmente... esses
animais eram tímidos; apreensivos e altamente
sensíveis...”
Era o toque que estabelecia uma diferença
primordial e vital. Sem ele os ratos morriam,
com toques saudáveis os ratos resistiam
a situação de risco de morte.
O próprio Montagu, comenta este relato
afirmando: “O amistoso manuseio desses
animais pode ser a diferença fundamental
entre a vida e a morte após a remoção
de importantes glândulas endócrinas.”
O amistoso manuseio é um toque terapêutico
que teve influências sobre o organismo,
órgãos, energia dos ratos.
Algumas pessoas mais críticas dirão
ou perguntarão: o que tem a ver ratos
com humanos? Contudo, a obra citada deixa claro
que o toque é necessário e vital
em filhotes mamíferos. Somos mamíferos
e necessitamos do toque como os outros animais
para viver. E para não deixar dúvidas
veja o que Montagu afirma: “Na realidade,
quanto mais sabemos a respeito dos efeitos da
estimulação cutânea, mais
descobrimos o quanto é profundamente
significativa para um desenvolvimento saudável.
Por exemplo, num dos primeiros estudos desse
tipo, constatou-se que a estimulação
cutânea em bebês recém-nascidos
exerce uma influência altamente benéfica
sobre seu sistema imunológico, o que
tem importantes consequências para a resistência
contra doenças infecciosas e outras.”
Ao longo dos anos, como massoterapeuta, percebi
que os adultos que recebem frequentemente a
massoterapia e o toque ficam menos gripados
e resfriados. Nos últimos 5 anos trabalho
dentro de uma grande empresa multinacional,
constatei que os sintomas do stress permanente
que os funcionários são submetidos
não se manifestam naqueles que são
constantemente massageados.
Quero dizer que aqueles que recebem massoterapia
estão menos sujeitos a vários
tipos de problemas de saúde.
EXPRESSÕES
COTIDIANAS E A PELE
A pele possui uma importância vital. Porém,
é uma pena que a estimulamos pouco ou
quase nada. As expressões cotidianas
utilizadas pelas pessoas ressaltam e destacam
a importância da linguagem táctil
e do toque. Vamos para algumas expressões
utilizadas:
• Ao insensível, aplicamos nele
o adjetivo duro, frio e empedernido que do latin
= callun = pele dura.
• “As palavras que descrevem a insensibilidade
emocional e a calosidade da epiderme (última
camada de pele, a camada mais externa), derivam
ambas da mesma raiz. Falamos que alguém
ficou tão calejado que terminou por insensibilizar-se
diante das questões humanas.”
• Agarrados, tocados nos sentimos mais
seguros;
• Compreender algo é pegar direito
o assunto;
• De mãos atadas ficamos em algumas
situações;
• Quando sentimos muito afeto para com
uma pessoa para demonstrar este afeto a apertamos
contra o peito;
• Buscar algo no escuro, é algo
tateado;
• Quando estamos às cegas tateamos
uma saída;
• Se estamos longe da realidade é
porque perdemos o contato com a realidade.
• Quando estamos ausentes, longe com nossos
pensamentos alguém nos toca, para que
voltemos à realidade.
• Para superar as distâncias entre
duas pessoas devem estender os braços,
ficam mais próximas.
• Quando temos certeza de algo é
quando a temos na ponta dos dedos.
• Lembrar daquela pessoa amorosa, carinhosa
e amada faz a pele arder.
• “O medo leva a pessoa sentir calafrios.
Realmente a pele fica arrepiada, pois se contrai
e, quando isso acontece, os pêlos se eriçam
e a pessoa fica de cabelo em pé (reflexo
pilomotor).”
• Sentir as consequências na pele
é realmente sofrer.
• Numa luta os perdedores são esfolados
vivos, ou seja maltrata-se a pele.
• Quando queremos repreender alguém
damo-lhes uma esfregada.
• Algo bem pessoal, tem um toque pessoal.
• Querendo conscientizar uma pessoa é
dar-lhe um toque.
• Para conhecer melhor um indivíduo,
entramos em contato.
• As mãos com um toque de fada
ou um toque mágico nutre a alma e cura
dores profundas.
• Elogiado é um homem que têm
um toque feminino.
• Poucos são os que têm um
toque humano.
• Dar um toque para alguém é
avisá-lo.
• Contatar determinadas pessoas é
duro ou mole, quer dizer é difícil
ou fácil entrar em contato.
• A pessoa sensível precisa ser
tocada com luva de pelica.
• Há pessoas que tocamos e são
casca grossa.
• Umas peles parecem pele de bebê.
• Há pessoas superficiais, ficam
ao nível da pele, há outras que
penetram pele adentro, superam as expectativas,
essas nos tocam profundamente.
• Pense na reação dos intocados
e como é difícil lidar com eles.
• Quando algo é possível
de ser tocado é uma coisa palpável.
• Há coisas repugnantes ao serem
tocadas, como as coisas viscosas, grudentas
e adesivas. Aliás, como alguns que grudam
em nós.
• Uma sensação marcante
que fica dos outros é belo toque.
• A primeira impressão é
muitas vezes certa, só muda na convivência,
depois do toque.
• Aquela experiência profunda foi
tocante e pungente que do latin pungere significa:
picar e tocar.
• Aconchegante é quando nos sentimos
protegidos, abraçados e próximos.
• Quando sentimos prazer ficamos arrepiados,
é um toque profundo.
• Quando a pessoa é habilidosa
tem tato.
• “Consideremos o seguinte: enquanto
sistema sensorial, a pele é, em grande
medida, o sistema de órgãos mais
importante do corpo. O ser humano pode passar
sua vida toda cego, surdo e completamente desprovido
dos sentidos do olfato e do paladar, mas não
poderá sobreviver de modo algum sem as
funções desempenhadas pela pele...
Jacob Rodriguez Pereire (1715 – 1780),
um espanhol que trabalhou na França por
volta da metade do século XVIII e com
grande sucesso demonstrou que os surdo-mudos
poderiam ser ensinados a falar por meio do tato...
a estimulação contínua
da pele pelo ambiente externo serve para manter
tanto o tônus sensorial quanto o motor.
O cérebro precisa ser realimentado por
informações oriundas da pele,
a fim de efetuar os ajustamentos necessários
em resposta aos dados captados. O feedback da
pele para o cérebro é contínuo,
mesmo durante o sono.”
Como
afirmei acima: o toque é uma necessidade
biológica. Como afirma Montagu não
vive-se sem toque. Pense na quantidade de toques
que você recebeu hoje. Foram suficientes
para estar nutrido, saudável? Quantidade
não é qualidade! Os toques recebidos
no teu dia-a-dia são protetores ou são
violentos e ameaçadores? Muitas vezes
não somos honestos, em relação
as nossas necessidades corporais. Da qui para
frente ao sentir falta de toque procure-o, seja
direto e verbalize sua necessidade. Ao pedir
um colo, no máximo que poderá
acontecer é não recebe-lo. Insista
ate alguém próximo o faça
sem sarcasmos ou chantagens.
À medida que for sendo tocado, toque
mais. Permita que outros sejam nutridos. Você
também será beneficiado.
E para encerrar este item sobre expressões
vai uma cativante: nem pensar nos que não
tem tato, seja alguém de muito tato!
TRISTE
REALIDADE...
Os estudos científicos relacionados à
pele são recentes. A maior parte dos
conhecimentos relacionados à pele são
da década de 1940 para cá. Mesmo
assim, os conhecimentos e as pesquisas existentes
são sobre a estrutura da pele, a bioquímica
e as funções físicas.
Contudo, os conhecimentos ainda são restritos.
A pele merece mais estudos e abranger o toque
e sua linguagem.
UM
REVESTIMENTO ESPECIAL
A pele possui multiplas funções
e milhões de células. Pouco ou
quase nenhuma importância lhes atribuimos.
Pouco nos voltamos para ela. Tocá-la
é uma dificuldade! É mais fácil
agredi-la do que dar-lhe um aconchego.
Veja os tratamentos que damos a pele, parecem
métodos de tortura. Dá-se muita
importância à aparência sem
perceber que a pele reflete o interno. O olhar
também pode estar exclusivamente voltado
para o interno. Estar introspectivo demais também
é um desequilíbrio.
O saudável é que a pele seja bem
tratada, tocada pelo meio ambiente. Ao mesmo
tempo que a pele é tocada, as informações
são conduzidas para o interno e este
responde ao meio, é a manifestação
interna via pele.
O equilíbrio está na fluência
entre o externo e o interno, dentro e fora.
Sabe quem desempenha um papel importante nesta
comunicação? A pele! Ela está
entre estes dois mundos: o interno e o externo.
A pele faz a ligação e permite
a comunicação destes dois mundos.
A pele demarca estes dois mundos: da pele para
dentro é o ser, da pele para fora é
o mundo. Ainda mais, a pele bem tocada equilibra
e harmoniza, vitaliza a energia interna.
Gilson
Giombeli |